Diário do Peregrino

Poema

#Poema


A vida tem as suas estações. Às vezes é primavera: coisas novas florescem, o coração se enche de empolgação, e cada amanhecer traz promessas coloridas.

Às vezes é verão: tudo em ritmo acelerado, os dias de luz se sucedem sem que percebamos, vivemos intensamente sem tempo para questionar, apenas sentindo o calor de estar vivo.

Às vezes é outono: as cores esmaeceram, a nostalgia paira no ar como folhas que caem, e o mundo parece tingido de preto e branco. Mas são dias de reflexão, de olhar para dentro, de nos conhecermos nas sombras mais longas.

E às vezes a vida é inverno: dias em que a tristeza se instala sem pressa de partir, em que até sair de casa parece impossível, e o frio nos alcança por dentro.

Mas ao contrário das estações da natureza, as nossas não seguem ordem. Primavera e inverno podem dividir a mesma semana. Sorrimos e choramos com quem amamos, às vezes no mesmo abraço.

E está tudo bem.

Viver é aceitar esse misto de sentimentos e acontecimentos, é reconhecer que nem sempre teremos controle. Talvez o segredo da plenitude seja exatamente isso: viver cada estação sem medo, perseverar na esperança, colher de cada dia as lições que nos fazem continuar.

No fim, fica tudo bem. Porque não importa quantos dias cinzentos vivamos, a primavera sempre retorna, e com ela, a alegria de recomeçar.

Miqueias Klippel. Veritas Lux Mea.


Vens como névoa que se aninha ao peito, sussurrando segredos que o dia esquece. És amiga fiel nas horas desfeitas, onde o mundo se despede de cores.

No teu abraço frio nasce a luz clara, um espelho antigo que devolve o que oculto está, verdades que ferem, mas também libertam, como estrelas que brilham só na noite densa.

Mas, se permaneces demais, tornas-te prisão, uma sombra que recusa o nascer do sol. O que antes era melodia suave, transforma-se em corrente, impedindo que outros sentimentos floresçam.

Então, observo-te de longe, sem laços, deixo-te passar, como vento que acaricia. Agradeço a clareza que trazes, mas sigo aberto ao verde da esperança.


#Poema

Miqueias Klippel. Veritas Lux Mea.


A vida às vezes veste-se de outono, Com seus ventos que sussurram verdades antigas, Tocando a alma com dedos de brisa, Não para ferir, mas para despertar.

O céu se cobre de cinza suave,

As cores perdem o grito, ganham sussurro, Em tons opacos dançam histórias quietas Que só os olhos atentos podem ler.

Não é tristeza o que paira no ar gelado, É melancolia: essa velha amiga sábia Que nos ensina a beleza do transitório, A graça delicada das folhas que caem.

Há quem passe correndo por esta estação, Ansiando pela primavera que virá,

Mas os perspicazes sabem o segredo:

Que outono é pausa necessária, reflexão dourada.

No frio que toca a pele e acorda a mente, Nas mudanças que redesenham a paisagem, Existe uma beleza discreta, profunda, Um convite para olhar para dentro.

E assim vivemos nossos outonos internos, Com gratidão pelas folhas que caem, Sabendo que cada estação da alma Traz sua própria e única poesia.

Pois a melancolia não é inimiga da alegria, É sua irmă contemplativa, serena, Que nos mostra que sentir é estar vivo, E que há beleza em cada tom da existência.


#Poema

Miqueias Klippel. Veritas Lux Mea.

#Poema


Meu coração não sabia que precisava ser salvo, Vagueava perdido, em um mar bravio. envolto. Na solidão das noites frias. ele se perdia. Sem saber que a salvação surgiria.

Mas então, como um farol em meio à tempestade, A luz divina brilhou, dissipando a escuridão da ansiedade. Ergueu-se, então, em alegria e gratidão. Por encontrar na fé em Cristo a redencão.

Nas asas da esperança, agora ele voa. Liberto das correntes que antes o prendiam à tristeza Como é doce sentir-se encontrado e amado. Meu coração esteve perdido, mas agora está para sempre a salvo.

KLIPPEL, Miqueias. Farol na Tempestade. Anotações Pessoais, 2024

Miqueias Klippel. Veritas Lux Mea.