Quando a Vida é Outono
A vida às vezes veste-se de outono, Com seus ventos que sussurram verdades antigas, Tocando a alma com dedos de brisa, Não para ferir, mas para despertar.
O céu se cobre de cinza suave,
As cores perdem o grito, ganham sussurro, Em tons opacos dançam histórias quietas Que só os olhos atentos podem ler.
Não é tristeza o que paira no ar gelado, É melancolia: essa velha amiga sábia Que nos ensina a beleza do transitório, A graça delicada das folhas que caem.
Há quem passe correndo por esta estação, Ansiando pela primavera que virá,
Mas os perspicazes sabem o segredo:
Que outono é pausa necessária, reflexão dourada.
No frio que toca a pele e acorda a mente, Nas mudanças que redesenham a paisagem, Existe uma beleza discreta, profunda, Um convite para olhar para dentro.
E assim vivemos nossos outonos internos, Com gratidão pelas folhas que caem, Sabendo que cada estação da alma Traz sua própria e única poesia.
Pois a melancolia não é inimiga da alegria, É sua irmă contemplativa, serena, Que nos mostra que sentir é estar vivo, E que há beleza em cada tom da existência.
Miqueias Klippel. Veritas Lux Mea.