Espelho das Sombras
Vens como névoa que se aninha ao peito, sussurrando segredos que o dia esquece. És amiga fiel nas horas desfeitas, onde o mundo se despede de cores.
No teu abraço frio nasce a luz clara, um espelho antigo que devolve o que oculto está, verdades que ferem, mas também libertam, como estrelas que brilham só na noite densa.
Mas, se permaneces demais, tornas-te prisão, uma sombra que recusa o nascer do sol. O que antes era melodia suave, transforma-se em corrente, impedindo que outros sentimentos floresçam.
Então, observo-te de longe, sem laços, deixo-te passar, como vento que acaricia. Agradeço a clareza que trazes, mas sigo aberto ao verde da esperança.
Miqueias Klippel. Veritas Lux Mea.