Falar sobre minhas crenças teológicas me faz percorrer um longo caminho desde a infância na Igreja Metodista do Brasil, onde cresci, fui educado e tive meus primeiros contatos com ensinos estruturados e profissões de fé, até os dias atuais, onde continuo aprendendo e crescendo.
De fato, meu primeiro contato com a teologia ocorreu na igreja Metodista, onde meu pai ocupava os cargos de evangelista e dirigente entre 2005 e 2009, em Santa Marta, um pequeno distrito do município de Ibitirama, no Espírito Santo. Lá, ainda criança aos sete anos, comecei a frequentar as escolas bíblicas dominicais e os cultos de ensino doutrinário.
Lembro-me de aprender a ler exercitando a prática em panfletos de evangelismo e revistas como o Expositor Cristão, além de livros de teologia de meu pai. Foi um período bom de aprendizado e participação em uma comunidade cristã bem estruturada. Anos depois, daria-me conta de quanta “sorte” tive ao receber esse tipo de educação ainda na infância.
Esses primeiros anos, marcados pelo acesso à teologia e uma forte formação cristã, moldaram para sempre minha cosmovisão e jornada. Cresci envolto em temas como santidade, graça, pecado e amor, guiado pelos textos bíblicos. De certa forma, a teologia tornou-se parte comum da minha vida, despertando curiosidade ao longo dos anos sobre diversos temas dentro e fora do cristianismo. Com o passar do tempo, meus ideais e crenças foram tomando forma até chegar ao que são hoje.
Tive a grande “sorte” de nascer em uma família onde praticamente todos são cristãos tradicionais, com uma pluralidade denominacional interessante. Em casa, convivemos com Metodistas, Assembleia de Deus, Presbiterianos, Batistas, Congregacionais, além de outras denominações menos tradicionais e o próprio catolicismo romano.
Essa diversidade fez com que eu transitasse desde cedo por terrenos teológicos distintos, tendo contato com diferentes pontos de vista doutrinários. Posteriormente, o convívio social, principalmente na escola, ampliou esse contato com pessoas de outras denominações.
Obviamente, a teologia arminio-wesleyana teve um impacto profundo nas minhas crenças desde cedo, afinal cresci na Igreja Metodista, mas minha curiosidade levou-me a explorar muitos pontos de vista sobre temas comumente importantes a todos. Percorri com afinco o metodismo carismático e depois o pentecostalismo em seu estado mais puro e tradicional.
Na sede de conhecimento, tive acesso a teologias estranhas de outros grupos e, por fim, ao período mais obscuro da minha trajetória: o aprofundamento na teologia calvinista. Sem dúvidas, o calvinismo foi a vertente que mais me trouxe problemas e certa escuridão, mas isso é assunto para outro momento.
Depois de tantas experiências, boas e ruins, e de mais de 20 anos desde o início na Igreja Metodista, posso dizer que atingi uma certa maturidade de pensamento e ideias. Ou seja, uma certeza sobre minhas crenças e minha fé. Para ser honesto, apesar de ter transitado um pouco entre diferentes esquemas teológicos, principalmente na adolescência movido pela curiosidade, afirmo com felicidade que ainda sou moldado em grande parte pela teologia aprendida no metodismo e no arminianismo clássico.
Com o metodismo, aprendi que a teologia não é somente dogma e ensino intelectual, mas principalmente algo do cotidiano, uma forma de ver e fazer as coisas no mundo. A teologia é prática. Essa concepção mudou completamente minha forma de viver. Por exemplo, muito além de crer numa fórmula de soteriologia, aprendi a enxergar a própria salvação no dia a dia; muito além de entender o conceito de graça, aprendi a vê-la até mesmo nos momentos mais simples da vida.
Pensar e crer dessa forma abriu minha mente para verdades sobre Deus e o cristianismo que contrastaram diretamente com muitos ensinos que vi durante anos em vários círculos, onde a intelectualidade era desejável acima de tudo e onde saber a definição dos conceitos teológicos importava mais do que vivê-los na prática. De fato, conheci pessoas cheias de conhecimento, mas frias na fé. Eu mesmo estive correndo esse risco algumas vezes.
Acredito que, para um cristão, a fé meramente intelectual é um dos maiores perigos existentes, pois mantém a mente afiada, mas o coração gelado.
Depois de tantos anos, olhando para tudo o que vivi, fico feliz em ver como meus pensamentos progrediram, como minha fé amadureceu e como pude viver e compartilhar tantas experiências interessantes com tantas pessoas e peregrinos ao longo da jornada. É inegável que aqueles que se desafiam no caminho do aprendizado sempre encontram obstáculos e dificuldades, mas também recompensas grandiosas e eternas. Espero escrever em breve sobre as doutrinas em que creio e como elas influenciam minha vida.
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