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Como Reconhecer o Vitimista

Crescer é aprender a conviver com todo tipo de gente. Algumas dessas experiências nos marcam para sempre, e para o bem; mas outras podem nos ferir profundamente.

Caminhar completamente sozinho é impossível, uma hora ou outra alguém cruza o nosso trajeto. E entre todos os encontros possíveis, nenhum me parece mais perigoso do que aquele com quem carrega a síndrome do vitimismo. Não é um termo clínico, mas é assim que chamo um tipo muito específico de pessoa danosa.

São fáceis de identificar. Há nelas um pessimismo alarmante: nada presta, nada está bom, e a reclamação é o idioma oficial. A gratidão simplesmente não existe; no lugar dela, só cobrança. Reconhecer um avanço, seja seu ou alheio, é raríssimo, e quando acontece quase sempre esconde segunda intenção.

São maldosas. Fazem fofoca com prazer, aumentam histórias até desfigurá-las, transformam qualquer situação em pretexto para criticar os outros e falar de si mesmas, porque falar de si mesmo é o esporte favorito delas. Precisam do centro do palco, mendigam atenção e não toleram o vazio de serem ignoradas.

Nessa fome por holofotes, cometem erros sem medir custo: sabotam vidas alheias, quebram promessas, traem confiança, desde que ao final tenham uma história em que sejam o personagem principal. O roteiro é sempre o mesmo: o vitimista comete o erro, reescreve a história e ainda cobra de você a dor que ele mesmo causou.

É gente perigosa de se ter por perto. Sugam qualquer resquício de felicidade, como se nossa alegria fosse a prova da culpa que carregamos pela infelicidade deles. Não merecem confiança. Vendem a integridade de uma amizade sem hesitar, desde que o preço seja um espaço no grupo de seu interesse do momento.

Afinal, são predadores. Escolhem pessoas boas como presas e não matam de uma vez. Ferem aos poucos, dia após dia, até que a vítima não tenha forças para reagir. Só então vem o golpe final: um rompimento doloroso onde quem de verdade foi ferido é apontado como culpado, recebe a carga emocional do outro e ainda precisa se levantar sozinho.

Se já conheceu alguém assim, talvez já tenha percebido que não se vence essa gente com paciência, e sim com distância. O vitimista não quer ser curado, quer ser aplaudido. Não há diálogo possível com quem reescreve a própria história a cada rodada. Proteger-se, portanto, não é crueldade, é a última misericórdia legítima que nos resta ao negarmos ao predador o público que o alimenta. Quando alguém transforma dor em espetáculo, saia da sala. Plateia vazia é o fim de qualquer predador.

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