O Paradoxo da Cruz: Perder para Ganhar
O chamado do cristianismo não ecoa a voz da cultura contemporânea que diz: “Siga seu coração” ou “Seja verdadeiro consigo mesmo”. O verdadeiro chamado cristão, dirigido a todos sem exceção, ressoa nas palavras de Jesus: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Marcos 8:34).
Negar a si mesmo não é opcional: é o chamado universal de todo discípulo. A “cruz” que cada um carrega pode variar em forma e peso. Para uns, pode ser a renúncia a um relacionamento que desonra a Deus; para outros, o abandono de ambições mundanas, vícios arraigados ou a luta contra inclinações pecaminosas. Mas uma verdade permanece: todos temos uma cruz a carregar.
Quando abrimos nossos olhos para essa verdade desconfortável, porém libertadora, a caminhada cristã ganha profundo sentido e propósito. O que parece perda aos olhos do mundo (negar-se, renunciar às paixões desordenadas, crucificar desejos egoístas) revela-se, na verdade, o caminho para o maior de todos os ganhos: a salvação eterna da alma e a comunhão plena com Deus.
Pois, como o próprio Cristo ensinou: “Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas quem perder a vida por minha causa e do evangelho salvá-la-á” (Marcos 8:35). O paradoxo cristão permanece: na renúncia encontramos plenitude; na morte para nós mesmos, descobrimos a verdadeira vida.
Miqueias Klippel. Veritas Lux Mea.